sexta-feira, 22 de novembro de 2019

nº 1912 - Homilia da Solenidade de Cristo Rei (24.11.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Tu és o Rei de todos” 
Ele nos libertou 
Não sei se devemos conservar a palavra Rei para Jesus, depois de ver tantos reis, durante séculos, distantes da dimensão real de Jesus. Melhor ficarmos com sua opção “aquele que serve”. É o servo como nos relata Isaias em seus cânticos (Is 49.49.50.52). Essa festa é colocada no final do Ano Litúrgico para significar que todo o mistério celebrado se dirige a Cristo, para quem todo Universo se dirige (Ef 1,10). No hino de Colossenses, Paulo dá graças porque o Pai nos tornou capazes de participar da luz que é a herança dos santos. Tudo o que o Pai faz, endereça ao Filho: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, por quem temos a redenção e o perdão dos pecados. Davi é uma profecia que, sendo ungido rei para apascentar o povo, funda sua realeza num Rei que há de vir (2Sm 5,1-3). Deus lhe promete uma casa eterna (1Cr 17,12). Essa profecia se realiza em Jesus, ungido Rei pelo Pai, para dar a liberdade de todos os males, do poder das trevas. Vemos na oração da coleta da missa, o sentido que a Igreja quer dar à celebração de hoje: “Deus que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do Universo, fazei que todas as criaturas libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, Vos glorifiquem eternamente”. A restauração é para a libertação e implantação do Reino de Deus para a vida plena de todos. A unção de Davi foi para a união do povo sob um rei ungido. Cristo Rei, Servo de todos, liberta para uma vida plena em um único corpo. 
Quem é esse Filho? 
A partir da missão, a carta aos Colossenses descreve quem é esse Filho em cujo reino fomos recebidos e por quem temos a redenção e o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível: “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14,9). É o primogênito de toda a criação. Nesse Filho nasce a novidade total: “As coisas antigas passaram, eis que tudo se fez novo” (2Cor 5,17). Tudo foi feito por meio Dele (Jo 1,3). Jesus vai além de nossos conceitos. “Ele existe antes de todas as coisas e todas têm Nele sua consistência” (Cl 1,17). Percebemos bem o risco de querermos Jesus como um santo a mais, um que quebra nossos galhos. Deixamos de lado sua consistência divina. Essa dá consistência a todos os seres. Sem Ele não existiríamos. “Ele é a cabeça do Corpo, isto é, a Igreja” (Id. 18). Novamente corremos o risco de não compreender o que seja Corpo de Cristo, do qual fazemos parte. É Nele que tudo se inicia e tem Nele sua finalidade. “Ele é o primogênito dentro os mortos” (Id 18) . É o primeiro ressuscitado e sua ressurreição é a ressurreição de todos. “Em tudo tem a primazia porque Deus fez habitar Nele a sua plenitude...” (Id 1.19). A plenitude de Deus está no Filho. Por isso diz: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). O Pai, em Cristo realiza a reconciliação de todos os seres. Seu sacrifício na cruz realiza a reconciliação de todos os seres (Id 19). 
O Céu se abre hoje. 
A salvação acontece imediatamente quando vem de um profundo sentimento de ter em Jesus a total libertação e redenção: O ladrão que reconhece sua situação volta-se para Jesus, o Rei dos judeus, o Servidor de todos, e tira do fundo sua total desesperança. Crucificado, também ao lado de Jesus, Nele vê a porta do Céu aberta: “Lembra-te de mim quando estiveres no teu reinado” (Jo 23,42). A resposta de Jesus ensina que a redenção se faz completa com toda a intensidade e rapidez: “Ainda hoje estará comigo no Paraíso” (Lc 23,42-43). Quão dura tenha sido sua morte, tão grande é sua certeza da vida. Redenção é vida que não se faz esperar. Jesus é imediato. Não retarda a redenção colocando razões e questões. 
Leituras: 2 Samuel 5,1-3; Salmo 121; 
Colossences 1,12-20;Lucas 23,35-43. 
Ficha nº 1912 - Homilia da Solenidade de Cristo Rei (24.11.19) 
1. “Deus restaura todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do Universo. 
2. A partir da missão, a carta aos Colossenses descreve quem é esse Filho. 
3. Redenção é vida que não se faz esperar. Jesus é imediato. 
Que rei sou eu? 
Celebrando Jesus Cristo Rei do Universo a gente acaba pensando que Ele seja parente do rei do baralho. Ali tem rainha e príncipe. E levam muita gente para o buraco. Passamos da fase de reis e entramos em outras. Mas Jesus se declara: Eu Sou rei. Para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade, escuta minha voz (Jo 18,37). Não entrou na questão do título, mas da verdade. Ele é a verdade. No alto da cruz clama ao Pai: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” (Mc 15,34). Estaria pensando: que rei sou eu? Chegar nesse estado? Ele confirma: “Pai, em vossas mãos entrego meu espírito” (Lc 23,46). Está garantido. Alí está sua unção real: lançar-se no Pai. Jesus ensina que reinar para Ele é servir. Se vai usar coroa de ouro ou de espinho, o importante é servir. Serviu com sua morte e serve com sua Vida.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

nº 1910 - Homilia do 32º Domingo Comum (17.11.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Permanecendo firmes vencereis” 
Coisas pavorosas 
Como é costume entre os católicos, a reflexão do final do ano litúrgico é acompanhada dos discursos sobre o fim dos tempos. Usa a linguagem difícil que se chama apocalíptica. Esse tema agrada muito a quem gosta de mistério. Perdemos o sentido da esperança que foi infundido em nossos corações pela fé em Jesus. Para nós não existe o fim, mas o início do tempo definitivo. Além do mais, todos os sinais de fim de mundo, que são relatados, têm acontecido em todos os tempos e não foi o fim. Percebemos que Jesus quer nos relatar a vinda permanente do fim. Mas essas narrativas não perdem seu sentido. Dentro das revelações sobre o fim, há o aviso de Jesus sobre a perseguição dos justos. Antes do fim, os cristãos serão perseguidos. Atualmente as perseguições são muito maiores. Morrem mais mártires que nos tempos romanos. O cristão tem uma palavra tão forte que os perseguidores não têm como rebater: a palavra do Espírito Santo que fala em nós. Podemos assim anunciar a vida que dura para sempre. E para chegar lá, o profeta Malaquias diz: “Para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo a salvação em suas asas” (Ml 3,20ª). Essa certeza torna sereno o temporal previsto para o fim. Podemos encontrar grupos e pessoas religiosas de nossos grupos que querem fazer espetáculo e ficam criando datas para o fim. Nem o Filho de Deus sabe. Por que? Para que saber? O Pai é quem sabe de seus tempos. Mas quer que seus filhos possam viver intensamente o fim, como uma vida nova que se aproxima. 
Falsos profetas 
“Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome dizendo ‘Sou eu’ e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente! Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados’” (Lc 21,8-9). Jesus prevê e previne os seus contra os que conturbam as comunidades com pregações apavorantes. Os falsos profetas também são os pregadores ou orientadores que ensinam doutrinas pessoais ou ideologias políticas como se fossem verdades de fé. Assim atraem muitos. Pedro em sua carta alerta: “Haverá entre vós falsos mestres que trarão heresias perniciosas, negando o Senhor que o resgatou... muitos seguirão suas doutrinas dissolutas e por causas deles o caminho da verdade cairá em descrédito. Por avareza, procurarão, com discursos fingidos, fazer de vós objeto de negócios” (2Pd 2,1-2). No correr da história, a Igreja foi vítima desses tipos que desviaram muitos, até nações inteiras. Vemos, ainda hoje, os mesmos exploradores do povo se enriquecendo à custa das falsas doutrinas. O povo é muito tapeado. 
A Redenção está próxima 
Paulo suspirava muito para estar com Cristo (2Cor 5,8), mas sabia igualmente de sua missão de continuar a evangelizar. Ele tem a expectativa de uma volta imediata de Cristo (1 Ts 4,17). Mas sabe organizar a vida da comunidade numa atividade para o próprio sustento. Ele próprio se sustentava e tinha até uma profissão: fabricante de tendas (At 18,3). Esperar a volta do Senhor é viver bem na comunidade, trabalhado. Nada de ociosidade. Para que trabalhar, se o Senhor vai voltar logo? Paulo responde: quem não quer trabalhar também não deve comer (1Ts 3,10). Usa a expressão: “Estão muito ocupados em não fazer nada”. E exorta: “Ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranquilidade seu próprio pão” (Id 11.12). O discurso apocalíptico de Jesus se assenta muito bem para uma comunidade que vive intensamente sua vida na serenidade do trabalho. 
Leituras: Malaquias 3,19-20ª; Salmo 97; 
2 Tessalonicenses 3,7-12; Lucas 21,5019. 
Ficha nº 1910 - Homilia do 32º Domingo Comum (17.11.19) 
1.Jesus quer nos relatar a vinda permanente do fim e não descrever como vai ser. 
2.A Igreja foi vítima de falsos profetas que desviaram muitos, até nações inteiras. 
3.Esperar a volta do Senhor é viver bem na comunidade, trabalhando. 
O mundo vai acabar 
Jesus fez um discurso que assustou muita gente. Assustar vai ser quando as coisas começarem a acontecer. Até que não vai assustar muito, pois a situação do mundo sempre foi muito calamitosa. Há gente que gosta desse tipo de sermão. Quantas vezes ouvimos desses que o mundo vai acabar logo. E já faz tempo que estão prometendo. Mas nada acontece. No início da Igreja se esperava o fim do mundo para logo. Mas o logo não chegou. Então esse assunto parece que morreu. Falar do fim não é jogar pedra no futuro, mas ver no presente como construímos nossa vida, como um sempre presente no Senhor. Não vivemos um mundo que se acaba, mas um mundo que se constrói. Paulo nos ensina a comer nosso pão com tranquilidade.

nº 1908 - Homilia do 32º Domingo Comum (10.11.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista
“Deus dos vivos” 
Fé que vale uma vida 
Próximos já do final do ano litúrgico, a Palavra de Deus nos leva a contemplar nosso futuro, não só nosso fim. É como esperar que se acendam as luzes do espetáculo definitivo. Não se trata de um fim que nos anule e provoque em nós uma desilusão e um viver sem esperança. “Nós esperamos novos céus e nova terra” (2 Pd 3,13). A partir desse estímulo podemos entender o ensinamento da Palavra que nos é dirigida. A leitura do segundo livro dos Macabeus e do evangelho de Lucas nos traz dois casos que parecem absurdos. Os dois livros de Macabeus relatam também a necessidade de resistir às novidades que o paganismo quer introduzir na vida do povo. Vemos o exemplo de resistência dos sete irmãos e sua mãe diante da imposição de comer carne de porco. Isso simbolizava que abandonavam a lei de Deus e aceitavam os costumes pagãos. É uma narrativa tremenda, mas admirável pela fortaleza diante do sofrimento para ser fiel a Deus. No evangelho temos uma discussão de Jesus com os saduceus que não acreditavam na ressurreição. Esses apresentam um caso de sete irmãos que, sucessivamente morrem após terem se casado com a mesma viúva, que também morre. Eles cumpriram a lei do levirato na qual, na morte de um irmão, outro deve se casar com ela para suscitar descendência ao falecido. Perguntam: Na vida futura de quem será esposa? Jesus responde: a vida futura não se rege pelos moldes dos mortais. Lá a condição é outra, como os Anjos. Não nega a vida presente. Afirma que lá se vive a vida de ressuscitados. Vivemos para Deus. 
Eterna e feliz esperança
“Ao despertar, me saciará vossa presença e verei a vossa face” (Sl 16). Na caminhada rumo à ressurreição passamos pelo caminho de nossas decisões e opções. Por isso rezamos no salmo: “Inclinai vosso ouvido à minha prece, pois não existe falsidade nos meus lábios! Os meus passos eu firmei na vossa estrada e por isso os meus pés não vacilaram. Eu vos chamo porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me” (Sl 16). O conhecimento de Deus e de seu carinho por sua frágil criatura nos garantem um futuro. Paulo diz aos tessalonicenses: “Que o Senhor dirija os vossos corações ao amor de Deus e à firme esperança em Cristo” (2Ts 2,5). A vida cristã não é a execução de preceitos, mas a confiança numa esperança que fundamenta nossas aspirações e nossa fé numa vida que continua. Aqui temos que tirar de nossa mente que nós viveremos nossa vida de novo, voltando para outro tempo em outras condições. Nossa fé não admite esse retorno. Passada nossa vida terrena, entramos na posse de uma vida que dura para sempre. A fé na ressurreição é fundamental. Temos certeza que teremos nosso encontro definitivo com Cristo. Para isso Ele morreu e ressuscitou. Nós viveremos unidos a Ele pela fé. 
Um mundo ressuscitado 
A ressurreição não é somente um fato espiritual, no fim da vida quando tudo estiver acabado. Ela penetra toda existência cristã e todo o universo. Paulo ensina que tudo será recapitulado em Cristo, isto é, todo o universo caminha para se unir a Cristo. Nele tudo tem sentido, Nele tudo se renova. Colocar o Evangelho no mundo é o mesmo que renová-lo à luz de Cristo. É através da vivência cristã, não como ideologia, mas como vida em Cristo. Todas as coisas deverão ser colocadas a serviço do homem e de Deus. Assim se renovam. Por isso não podemos fazer uma religião como uma prática individual e somente espiritualizada, mas que renove todas as coisas e pessoas. 
Leituras: 2º Livro dos Macabeus 7,1-2.9-14;Salmo 16; 
2Tessalonicenses 2,16-3,5; Lucas 20,27-38 
Ficha nº 1908 - Homilia do 32º Domingo Comum (10.11.19) 
1.A Palavra de Deus nos leva a contemplar nosso futuro, não só nosso fim. 
2.Na caminhada rumo à ressurreição passamos pelo caminho de nossas decisões e opções. 
3.Colocar o Evangelho no mundo é o mesmo que renová-lo à luz de Cristo.
Costelinha de Leitão 
Os sete irmãos e sua mãe foram trucidados por que recusavam comer carne de porco. Não se trata de não gostar. Aliás, os judeus e muçulmanos não comem carne de porco. Aqui era uma questão de fé. Comer a costelinha de leitão significava aceitar o culto pagão e deixar toda a lei de Deus. Então eles não fingem, não temem, pois amam a lei de Deus. Foram corajosos. A fé verdadeira nos leva a não necessitar dessas atitudes dolorosas, mas a deixar os pequenos leitões que vamos criando dentro de nós e por eles negamos todo o amor de Deus por nós, seu evangelho, a missão de Jesus, sua Igreja e tudo mais. Pequenas coisas, mas venenosas. Essas são mais difíceis de deixar que as grandes. Cuidemos de nosso chiqueirinho.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

nº 1906 - Homilia de Todos os Santos (03.11.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Bem-aventurados” 
Intercessores numerosos 
Alguém comentou que ultimamente só os papas ficam santos. Não é bem verdade, pois, agora é que os papas são santos. Não é verdade, pois temos muitas beatificações e canonizações nos últimos tempos. Esse fato não tira a força da festa de hoje, dia em que comemoramos todos aqueles fiéis e mesmo fora da Igreja, que viveram uma vida de amor à justiça na caridade. A festa atual quer lembrar todos, inclusive nossos parentes e amigos que agradaram a Deus. São poucos declarados santos. E os outros? Não são santos? São tão santos quanto os declarados. Aliás, santidade não tem tamanho. Esses são colocados como exemplo, modelo e estímulo à santidade. Reflete-se no dia de hoje a grande chamada de todos à santidade, como lemos no capítulo V da Lumen Gentium. Todos podem ser santos. S. Afonso diz: Todos podem ser santos na condição em que vivem. Por isso a santidade é aberta a todos. A liturgia de hoje quer “celebrar numa só festa o mérito de todos os santos” (Oração). A santidade do povo de Deus não se faz por gestos grandiosos, como temos em muitos santos, mas pela simplicidade de vida dedicada e carregada como uma cruz seja nos trabalhos, seja nos sofrimentos. Ela se faz de modo particular através das pequenas coisas de cada dia. São os santos do silêncio da vida. Só Deus sabe o que passam e o que sofrem. Quanta gente dedicada aos irmãos no escondimento. São pais e mães que lutam pela sobrevivência da família. São aqueles que se entregam a missões de cuidado dos necessitados. São aqueles do silêncio ou da atividade pela vida do mundo. 
Felizes todos vós 
Jesus já deu a receita desse caminho simples da santidade quando, reunindo em torno de si seus discípulos, fez o discurso das bem-aventuranças. Ali está a síntese de tudo de bom que o ser humano pode fazer. É a felicidade dos filhos na casa do Pai. Jesus é o modelo acabado desse projeto de santidade. São as bem-aventuranças. É caminho de todo aquele que busca Deus. Esse caminho está direcionado a Deus, mas passa pelo irmão. Todo homem e mulher podem realizá-las em sua vida. Compreendemos que Jesus está a dizer: “Façam como eu faço”. É necessário um grande exercício de purificação de nossa vida espiritual, pois está eivada de inutilidades. Para fugir do compromisso com a humildade, foram criados, ao longo da história tantos métodos de espiritualidade, fórmulas religiosas, modelos ricos de reflexão, mas vazios desse ensinamento de Jesus. Nossa fé fica vazia quando a fazemos fora desse natural cristão. Insistem-se nas longas horas de oração, nas penitências até violentas e textos complicados de reflexão espiritual. Santa Teresinha o descobriu como a pequena via, mas cheia de vida. As oito bem aventuranças são outros tantos nomes do amor. O Papa Francisco é um modelo dessa simplicidade.
Somos filhos de Deus 
Justifica-se esse ensinamento de Jesus quando lemos a carta de S. João dizendo que somos filhos de Deus. Se somos filhos, estamos na mesma condição de Jesus que é o Filho amado do Pai. “Quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a Ele porque O veremos tal como Ele é” (1Jo 3,2). Seremos se tivermos sido semelhantes a Ele na prática do Evangelho. Notamos que as palavras do Evangelho não são o caminho do cristão. Buscam-se outras coisas porque não nos comprometem. O amor não é pesado nem difícil, mas empenha a vida em sua totalidade, como foi para Jesus que foi até o extremo do amor. E por isso mesmo Ele foi pregado na cruz. A cruz não é a dor, mas o amor. 
Leituras: Apocalipse 7,2-4.9-14;Salmo 23; 
1João 3,1-3; Mateus 5,1-12 
Ficha: nº 1906 - Homilia de Todos os Santos (03.11.19) 
1. Santo Afonso dizia que todos podem ser santos na condição em que vivem. 
2. Nas bem-aventuranças está a síntese de tudo de bom que o ser humano possa fazer. 
3. O amor não é pesado nem difícil, mas empenha a vida 
Receita de Jesus
Hoje em dia tem receita pra tudo. Jesus não ficou para trás. Não só traz uma receita para a vida em Deus, mas o único caminho para chegar ao Céu. A receita é boa porque traz tudo que é preciso para ser completa. Todas as receitas têm algo de bom. Mas, as bem-aventuranças têm tudo para a vida ser plena e sadia. Jesus toca o essencial. Muita gente e mesmo santa propôs muitos caminhos de santidade. Certo que contém muito do essencial. Mas os aprendizes pegam só detalhes. Dá-se a impressão que as Sagradas Escrituras não são a base da vida. Sem isso, não conseguimos. Jesus apresenta a receita completa para a felicidade.

nº 1905 Artigo - “Esperamos Nele”

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
Celebração dos mortos. 
Santo Agostinho relata em seu livro, “As Confissões”, os últimos diálogos que teve com sua mãe, Santa Mônica. Não era um diálogo filosófico, era a filosofia da vida que cultuavam com simplicidade. Falavam da vida futura, depois de ter conquistado, em vida, a alegria de ver os resultados de suas preces por seu filho sem fé. Agora o tinha na fé e até mais, no ministério. Ela se sentiu mal e, entre outras coisas, disse que não se preocupassem em enterrá-la fora da pátria. Mas pedia que se lembrassem dela no altar de Deus nas celebrações. Ela nasceu em 332 e morreu 387. Viveu 56 anos. Vejamos que estamos no início do Cristianismo. Havia já a liberdade para o culto cristão (a.313). Mas era muito cedo para haver tantas doutrinas estabelecidas. Por que pede que reze por ela no altar de Deus? Já havia uma consciência clara da utilidade da oração pelos mortos, sobretudo durante a Eucaristia. Na verdade, Santa Mônica, conhecia o culto pelos mortos na sociedade romana, chamado refrigerium (descanso). Era uma refeição feita junto ao túmulo do falecido. Não era novidade falar de orações pelos mortos. Dizemos: “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno”. Que tenham um lugar de descanso (refrigério) e paz. A Ressurreição de Jesus nos dá a segurança que Ele ressuscitará os que morreram. Não foi logo que se começou a fazer uma oração especial. Mas era algo normal rezar pelos mortos. Como a partir do século IV se celebravam todos os santos mártires e, que se estabilizou no dia primeiro de novembro, a partir do ano 1000 e tomou o dois de novembro como dia de fazer memória de todos os falecidos. 
Morte que conduz à vida 
Meditando a celebração podemos encontrar sustento para nossa vida que parece tão frágil. Por que viver? Para morrer? A morte está presente. A Palavra de Deus nos mostra igualmente que a morte tem seu sentido na vida que ela dá. Lemos que Jesus explica que a vida eterna é uma decisão do Pai para todos: “Esta é a vontade do meu Pai: que toda a pessoa que vê o Filho e Nele crê tenha a vida eterna e, Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40). A missão de Jesus é conduzir todos à Vida que dura para sempre. Por isso a morte tem a ver com a vida que segue. Rezar pelos mortos é crer na vida de todos. Rezamos pelos mortos porque cremos no Corpo de Cristo que une a todos. Os membros mais fortes fortalecem os mais fracos. A noção de Corpo Místico de Cristo justifica a intercessão dos Santos e nossa intercessão pelos mortos. É uma coisa de família. Queremos a vida plena para todos. Não sabemos detalhes da vida dos que foram. Se necessitam de nossa oração para seu descanso, nós o fazemos, como toda a história da Igreja traduz. 
Enquanto esperamos a glória que leva à vida 
O salmo 26 nos leva a rezar essa verdade quando coloca em nossos lábios: “Ao Senhor eu peço somente uma coisa e, é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida”. A leitura de Isaías nos ensina: “Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações” (Is 25,7). Toda oração pelos mortos está nos colocando em caminhada segura para esse encontro com o Senhor: “Escutai com bondade as nossas preces e aumentai a nossa fé no Cristo ressuscitado, para que seja mais viva a nossa esperança na ressurreição dos vossos filhos e filhas” (Oração). Crendo na Ressurreição manifestamos nossa fé na força da oração pelos mortos que vivem essa passagem terrena para a vida celeste. Não deixemos de rezar pelos mortos. Um dia outros rezarão por nós.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

nº 1904 - Homilia do 30º Domingo Comum (27.10.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
Redentorista
“O grito do humilde” 
Subir ao templo
           Continuando sua catequese, depois de explicar que a oração deve ser incessante, Jesus nos faz ver o núcleo da oração: a que nasce do coração. Dois homens sobem ao templo para orar. O templo era a casa de Deus. Ali era o lugar da oração. Jesus, sem desqualificar a função do templo, coloca a oração no templo do coração. Um era fariseu e outro publicano. O fariseu era um observante da lei e cumpria todos os mandamentos com perfeição: Ele toma a posição correta de se rezar: Em pé, rezando no seu íntimo. Agradece por não ser como os outros homens. Seu agradecimento por não cometer o pecado, passa por diversos mandamentos. Agradece sua fidelidade à lei e à aliança. Tem pureza em seus procedimentos, não rouba, faz justiça, não come adultério, cumpre os preceitos do jejum, jejuando duas vezes por semana, paga o dízimo. Mas comete um erro brutal: não sou como os outros homens, por exemplo, como esse publicano. Sua oração ofende os olhos de Deus por julgar o outro. O publicano não vai ao templo para desfilar. Ele é judeu, como o fariseu, mas é cúmplice com o invasor romano. Pelo lucro que recebe, é encarregado de cobrar os pesados impostos para império romano. Por isso eram odiados e desprezados pelo povo. Lembramos que Jesus era amigo dos pecadores e publicanos. Era um crime. O publicano está distante. Toma uma atitude humilde e reza em silêncio sinceramente arrependido. Tem vergonha e bate no peito em sinal de dor e pede do fundo de sua miséria: “Tem piedade de mim que sou pecador” (Sl 50,3).
Quem se exalta será humilhado
           Jesus fala forte: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro, não. Pois quem se eleva será humilhado e, quem se humilha será elevado” (Lc 18,14). Ser justificado é ser readmitido à amizade Divina. A humildade é a elevação a Deus. O orgulho, mesmo fazendo boas coisas, como é o caso do fariseu, destrói a amizade Divina. Aqui Jesus revela o que acontece com Ele mesmo em sua humilhação, como lemos na carta aos Filipenses 2,5-11. Foi ao máximo da humilhação para um ser divino que se fez inferior a todos, indo até à morte. Por isso Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo nome, isto é, o nome Divino. O Homem humilhado é elevado. Na parábola, Jesus não desfaz do fariseu pelo bem que faz, mas por se colocar acima do fraco pecador. Isso acontece muito em nossas comunidades na busca pelo poder. Existem os que se julgam puros, santos e ungidos. E têm a ousadia de dizer que o outro não é ungido. Quem é dono do Espírito? Ele é silencioso, pois age no cerne do amor-humildade, aquele que se põe a serviço. Assim foram nossos santos. Olhem a Ir. Dulce foi puro amor e humildade
Paulo e seu Senhor
           Palavras finais mostrando sua vida cheia do Senhor e por isso repleta de uma entrega total ao seu ministério de evangelizar até ao sangue derramado. Ele se une a seu Senhor no sacrifício. É sua identificação com seu Redentor. Diz: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”(2Tm 4,7). Espera a recompensa que será dada a ele e a quem fizer o caminho de Cristo. Foi abandonado pelos seus. Mas ele tem sempre a presença de Cristo: “O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças; e fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações” (Id 17). Paulo fala de sua boa obra na humildade do publicano. Na Eucaristia, o Senhor nos educa a termos a atitude humilde de ficarmos ocultos para que a vida seja dada a todos.
Leituras; Eclesiástico 35,15b-17. 20-22ª; Salmo 33;2
Timóteo 4,6-8.16-18;Lucas 18,9-14.
Ficha: nº 1904 - Homilia do 30º Domingo Comum (27.10.19) 
1. Jesus, sem desqualificar a função do templo, coloca a oração no templo do coração.
2. A humildade é a elevação a Deus.
3. Paulo se une a seu Senhor no sacrifício. É sua identificação com seu Redentor. 
Cheio de si, vazio de Deus          
           Quando se faz uma pintura do fariseu e o publicano, o fariseu é sempre pintado barrigudo. E olha que jejuava duas vezes por semana. O texto da parábola tem um ensinamento claro sobre a necessidade da humildade, não de palavras, mas de vida, como em Jesus.
           O fariseu todo empinado, se mostra orgulhoso do bem que faz. O publicano, grande pecador, se mostra todo humilde pelo reconhecimento de sua situação triste de pecador público. Todo mudo sabia que ele não era bom, pois era opressor do povo em benefício dos romanos. Sendo humilde se coloca numa atitude de conversão pelo pedido de perdão sincero.
           A batalha cristã, como a de Paulo, nos leva até à boca do leão. Mas Deus está sempre de nosso lado. Por isso não há necessidade de empinar o bico.

nº 1902 - Homilia do 29º Domingo Comum (20.10.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Deus não se faz esperar”
Os gritos dos pobres 
“Jesus contou aos discípulos uma parábola para mostrar-lhes a necessidade de orar sempre e nunca desistir” (Lc 18,1). Há críticas a respeito da oração de pedido, sobretudo se são para coisas materiais ou a situações muito humanas, como no caso da parábola da viúva era desprotegida. Até nisso dependemos de Deus. Jesus explica a oração como uma súplica insistente. A viúva, com sua insistência, convence o juiz a cuidar de sua causa. Deus não se cansa com nossas insistências. Pelo fato de seus escolhidos não terem outra defesa que sua bondade, não vai deixar de lado sua causa e o fará logo, não deixando esperar. As Sagradas Escrituras sempre colocam Deus como protetor dos fracos e pobres. O que venceu o juiz foi a insistência da pobre viúva. As viúvas, com a morte dos maridos, ficavam totalmente desamparadas. O fiel cristão está desprotegido na sociedade, mas tem certeza da pressa de Deus em atendê-lo. Assim deve ser a oração. Não para dobrar Deus, mas para sermos sempre insistentes. A insistência é um modo de oração. Rezar não é falar muitas coisas para Deus, mas muitas vezes a mesma coisa (Beato Charles de Foucauld). E Deus fará justiça bem depressa. A oração insistente é ouvida por Deus que sempre atende e logo. A atitude de Moisés em oração pelo sucesso da batalha é dada como modelo de oração. Assim permanece em oração o tempo todo, com a ajuda de Aarão e Ur que lhe sustentam os braços. A oração participada tem mais valor. Jesus diz uma coisa complicada: “O Filho, quando vier, encontrará fé sobre a terra? (Lc 18,8). Sem a oração a fé desfalece. 
De onde vem nosso socorro? 
A oração permanente é o requisito fundamental para nossas vitórias. É a garantia. O altar é a pedra sobre a qual se firmam os que buscam a Deus em sua oração. O Salmo 120 mostra que o socorro vem de Deus. Essa sempre renovada confiança é a garantia de ter ajuda. Moisés pede a vitória sobre o inimigo. Temos um inimigo muito mais forte porque pode penetrar as decisões de nossa vida. Por isso o salmista diz que levanta os olhos para os montes, para o alto. Lá está Aquele que fez o céu e a terra, por isso pode continuar fazendo tantas coisas. Deus nos guarda constantemente: “Ele não deixa tropeçarem os meus pés e, não dorme quem te guarda e te vigia... O Senhor te guardará de todo o mal, Ele mesmo vai cuidar da tua vida! Deus te guarda na partida e na chegada. Ele te guarda desde agora e para sempre!”(Sl 120). A proposta permanente de Deus para o sustento de nossa fé é estar sempre cuidando de nós. Nossa resposta é a permanente atitude de estar sempre buscando sua proteção e sua ajuda. Somos fracos, mas temos onde nos escorar. 
A Palavra que reza
Paulo escreve a seu querido discípulo, a quem nomeara como supervisor de uma grande área de seu ministério, que insistisse muito na formação das comunidades, sobretudo pela pregação. Timóteo sempre fora fiel aprendiz da Palavra. “As Sagradas Escrituras têm poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus”. Não basta um conhecimento superficial, como uma bíblia de enfeite. Ela é inspirada por Deus. Na Palavra encontramos o caminho da oração. Rezamos pela Palavra e a Palavra nos ensina a rezar. Por isso Paulo diz a Timóteo que proclame a Palavra e insista. Por isso temos que ouvir a Palavra que nos conduz à oração insistente, pois insistente deve ser nossa oração seja insistente. Moisés ensina a não abaixar os braços. Ensina também que devemos ajudar uns aos outros na oração comum. Ela tem força de vencer as batalhas. 
Leituras: Êxodo 17,8-13; Salmo 120;2 
Timóteo 3,14-4,2; Lucas 18,1-8. 
Ficha nº 1902 - Homilia do 29º Domingo Comum (20.10.19). 
1. A oração insistente é ouvida por Deus que sempre atende e logo. 
2. A oração permanente é o requisito fundamental para as vitórias. 
3. Temos que ouvir a Palavra que nos conduz à oração insistente. 
Escolinha de Jesus 
Jesus ensina o be-a-bá da oração a seus discípulos. Tudo em Jesus é fácil de compreensão, pois Ele parte da vida comum. Os fatos do dia a dia podem explicar o que quer ensinar. Hoje ensina que a oração tem algo de chato. Chato, não pelo assunto, mas pela insistência. Jesus rezava muito. Pelo que conhecemos Dele, insistia em repetir as mesmas coisas, como vemos em sua dolorosa agonia no Jardim das Oliveiras. Aprendemos, quando estudávamos que a repetição é a mãe dos estudos. Repetindo fixamos o conhecimento. Assim também, buscando sempre, podemos fixar em nós os ensinamentos de Jesus. Ensina também a rezar sempre, não para convencer Deus de nossas necessidades, mas de nos convencer da necessidade de buscar sempre a Deus.