sexta-feira, 21 de junho de 2019

nº 1868 - Homilia 12º Domingo Comum (23.06.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Revestir-se de Cristo” 
E vós, quem dizeis que eu sou? 
Jesus se encontra em oração diante do Pai e, tem consigo o minguado número de discípulos. Sua obra parece um fracasso. O povo pensa que Ele é algum profeta que saiu da cova. Fracasso. Mas não sai da verdade de sua missão: Uma coisa que não entrega é a verdade de sua missão de ser o Messias. O Cristo de Deus. A palavra Messias é o mesmo que Cristo. Os judeus tinham grandes imaginações sobre como seria o Messias miraculoso e grandioso que iria restaurar o poder do Reino. Jesus proíbe que os discípulos digam que Ele é o Messias para não fazer o jogo da tradição popular. Por isso é claro para os que estão com Ele, que esse Messias será recusado. Os chefes do povo, que detêm também o poder espiritual, não aceitarão e o matarão. Mas Ele ressuscitará. Só assim Ele será fonte de ablução e purificação (Zc 13,1) . Ele será a fonte. Por isso Paulo nos escreve que o batismo realiza essa mudança naquele que crê: “Vós todos sois filhos de Deus, pela fé em Jesus Cristo. Vós todos que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo” (Gl 3,26-27). Revestir-se não será mudar de roupa exterior, mas mudança do interior pela fé. É o homem novo, herdeiro das promessas. Jesus não entra como um a mais na história da salvação. Acolhendo Cristo somos a descendência de Abraão, herdeiros, segundo a promessa, não segundo a carne. O processo de conversão vai aos poucos mudando a figura nossa em Cristo. É um processo lento e exigente que exige ir às raízes para ter a vida. A oração da missa nos indica o caminho: “Dai-nos por toda a vida a graça de Vos amar e vos temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor”. Não estamos sozinhos em nosso caminho espiritual de vida cristã: presença constante de Deus.
Seguimento de Cristo 
Entre o Messias sofredor e aquele que o segue como seu discípulo, há uma união. Ele deverá passar com Ele pelo sofrimento, revestindo-se no sofrimento e participando de sua total restauração na fonte acessível a todos habitantes. Esta união ao transpassado é o caminho doloroso da purificação. A vida cristã que reveste o verdadeiro discípulo, não só de nome, mas de vida, é seguir as duras palavras de Jesus de perda e ganho como exigência fundamental: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem quiser perder sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9,23-24). Isso é fundamental no ensinamento de Jesus. Assim como acontece com Ele, deve também acontecer com o discípulo. Aqui entramos no ensinamento do salmo que é a expressão do íntimo de nosso coração: A sede de Deus: “Minha alma tem sede de Vós, minha carne vos deseja como terra sedenta e sem água” (Sl 62). Sem essa sede não encontramos o caminho para o seguimento de Cristo. Ele será sempre uma figura distante, não uma vida. 
Fonte acessível 
O jovem rei Osias, vigoroso e piedoso, era uma esperança para povo. Ele morre na batalha de Megido, no ano 605, contra o invasor egípcio. Foi uma grande perda. Assim se pode comparar a Cristo que foi transpassado e se tornou uma fonte espiritual e de purificação. A morte de Cristo foi a resposta ao sofrimento de um povo destruído no seu interior pela falta de Deus, como diz, ao que O feriram de morte. Cristo faz a purificação no sacramento do Batismo. Ele não é apenas uma purificação exterior, mas uma mudança total, a partir da fé professada por Pedro: “Tu és o Cristo de Deus”... é a salvação que nos reveste de Cristo. “Vosso pranto se tornará uma festa”. 
Leituras: Zacarias 12.10-11;13,1; Salmo 62; Gálatas 3,26-29;Lucas 9,18-24.
Ficha: nº1868 - Homilia 12º Domingo Comum (23.06.19) 
1. O processo de conversão vai aos poucos mudando a figura nossa em Cristo (configurados).
2. Assim como acontece com Ele, deve também acontecer com o discípulo. 
3. Cristo, no batismo, realiza nossa purificação. 
Mudando de roupa
É uma peleja mudar a roupa. É um tal de olhar e ver se serve. Tirar porque não combina. O tempo está mudando. No fim nos alegramos com o elogio ou ficamos com cara de tacho com o erro que fizemos. Pobres podem não ter esses problemas. Mas incomoda. Pior é quando existe uma de mudança de roupa interior, onde é o alfaiate e nos traz um novo modo de vestir por dentro. O espelho é o Filho que é também a roupa nova que vestimos. Paulo nos Diz que fomos batizados em Cristo. Por isso revestidos Dele. Revestir-se é seguir Jesus e se lavar no batismo.

sábado, 15 de junho de 2019

nº 1866 - Homilia da Sol. Santíssima Trindade (16.06.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
Trindade que amamos 
Mistério que explica 
O mistério não encobre a luz, mas é uma luz que nos abre à verdade que se comunica. Quando falamos de Santíssima Trindade, já vem logo a expressão: “É um Mistério insondável que nos bloqueia e nos impede de podermos dizer: ‘Eu vi Deus e não morri’”. Os judeus temiam a visão de Deus por que causaria a morte. Mas não foi essa a impressão que Jesus nos passou. Aliás, Ele abriu o regaço do Pai para acolher todos os filhos, sem distinção. A Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revelou na maturação para dar a compreender a ação de Deus na história. Jesus, em suas atitudes e palavras, nos fez chegar ao conhecimento do Pai. O Filho nos revelou o Pai (Mt 11,27). Ele tomava as decisões em união com o Pai e o Espírito. Celebramos a festa da SSma Trindade, depois de termos encerrado a celebração do Tempo Pascal. Estamos diante de um mistério que se abre ao conhecimento e participação. Não há segredo que não sabemos, mas abertura total à qual Jesus nos introduziu (Jo 8,38). A Palavra de Deus tira o véu e nos leva à Vida. Sabemos que o Espírito Santo, dado pelo Pai, nos fará compreender tudo o que Jesus ensinou. Ele é a viva memória presente na Igreja para a compreensão sempre mais viva de Jesus e de seu desígnio de Salvação. Tudo o que Jesus fez para nossa salvação não se perde no esquecimento na natureza humana, pois o Espírito mantém viva sua memória e nos colocará em contato vivo com o Pai pela Verdade que é o Filho. A Palavra é sempre viva e eficaz (Hb 4,12). Pela própria Palavra podemos entender toda a Palavra. 
Viver para louvar. 
É sempre difícil falar sobre a Santíssima Trindade, como vimos. Diferentemente é fácil deixar que Deus fale através de seus filhos queridos e de sua natureza tão amável. Parece-me que hoje temos que destrancar os grandes portais de tão grande mistério e debulhar nos dedos da fé, o rosário dessas maravilhas. Viver é dar a vida. Assim fez Jesus, assim espera que façamos. Sabemos pouco de Deus. Quanto mais pensamos que sabemos, mais se abre o tesouro do coração Divino para penetrarmos tão preciosa maravilha. É um mistério que se contempla. Para Vós, até o silêncio é louvor. Ao refletirmos, procuramos explicar o que sabemos. No mistério da Trindade, explicar é louvar. Não podemos passar por essa verdade sem sentir que ela nos envolve em seus tentáculos de amor. Não sabemos como dizer. A palavra da Sabedoria é justamente o texto de Provérbios (8,22-31): Quando o Pai realizava as obras do Universo... “Eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; Eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo em sua presença, brincando na superfície da terra e, alegrando-me em estar com os filhos dos homens” (30- 31). 
Primeira e última letra 
Toda beleza do Universo criado na força do Espírito, colhida de um jogo amoroso do Pai com o Filhinho, para transmitir felicidade e alegria. Vemos que o mundo tem medo de ser criança feliz. Assim corresponde ao modelo desenhado pelo Espírito para estar presente em todos os seres criados. Preferimos uma religião e vida de patrão e escravo. É mais cômodo, pois o amor nos põe em total relação para a obra do amor. Esse amor não nos decepciona mesmo nas tribulações: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Celebrar a SS.ma Trindade é celebrar a festa do Mistério Pascal realizado em nós.
Leituras: Provérbios 8,22-31;Salmo 8;
Romanos 5,1-5;João 16,12-15. 
Ficha nº 1866 - Homilia da Sol. Santíssima Trindade (16.06.19) 
1.A revelação da Trindade se faz pelo amor com que Jesus nos amou. 
2.No mistério da Trindade explicar é louvar. 
3.O Universo criado no amor, só é compreendido no amor. 
Farra da molecada
Na busca de compreender os sagrados mistérios sempre achamos pontos difíceis. A prova é feia, quando o assunto é profundo. Passamos mal e nos satisfazemos com uma ignorância marota. Não sei, é mistério. Deus age ao contrário: Quanto mais profundo mais podemos compreender na simplicidade. Por isso Jesus coloca como explicação o amor que recebe do Pai. Sente-se garoto no amor do Pai. Na criação do mundo, como nos ensina o livro dos Provérbios, o Pai ajuntou o que havia de anjo miúdo e moleque, e os colocou como engenheiros. Saiu tudo como brinquedo de criança. Foi uma farra da molecada brincando e criando. E o Pai gostou tanto que fixou como a maravilha do amor. O universo é retrato de seu Filho Amado.

domingo, 9 de junho de 2019

nº 1864 - Homilia de Pentecostes (09.06.19) Homilia da festa de Pentecostes (09.06.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
Bendize, minha alma ao Senhor! 
Santificai a Igreja 
Depois da Ascensão de Jesus aos céus, celebramos agora a festa de Pentecostes. A descida do Espírito Santo sobre os discípulos. Essa festa acontece através de uma grande simbologia. Tivemos um longo tempo quaresmal que nos instruiu através de ricas leituras das Escrituras. As profundas verdades da fé são explicadas por meio de símbolos acessíveis ao nosso conhecimento. Não podemos perder de vista a unidade do Mistério Pascal de Cristo pelo qual fomos resgatados para fazer parte do Corpo de Cristo e sua missão. Infelizmente, não somos catequizados sobre a missão do Espírito Santo na vida no Corpo de Cristo que é sua Igreja. Quando se celebrou o Concílio Vaticano II, chamou-se à atenção para ausência do Espírito em alguns documentos. Depois houve a contribuição e o interesse da Renovação Carismática. Há um risco de ver a ação do Espírito Santo como uma devoção, como um santo a mais. Sua missão, na Trindade, está em nos alertar que vivemos os tempos da missão do Espírito. O Pai é o Criador, o Filho é ser o Redentor, e o Espírito Santificador. Não podemos voltar ao individualismo espiritual. Ele é o Santificador da Igreja. Por Ele vivemos a comunhão com de Deus. Podemos ter tranqüilidade.
Viver do Espírito 
São poucos os ensinamentos de Jesus depois da Ressurreição. Poucos, mas não diminuem o ensinamento. Jesus está ensinando tudo, em poucas palavras. As narrativas já muito conhecidas. A síntese que Jesus apresenta é a chave de leitura. Ele aparece a eles no domingo. O Dia do Senhor alerta que é fundamental para a Igreja reunir-se porque ali é que o Espírito fala e sustenta a comunidade. O ensinamento do dia da Ressurreição coloca a comunidade a viver a Ressurreição, celebrando o dia do Senhor. Dá-lhes o modo de viver: na paz e em todo fruto da paz que vem de Deus. Essa manifestação de Jesus, garante sua presença. Ele é o mesmo que dá a vida. Suas chagas dão a certeza de que é Ele mesmo que se comunica com os discípulos e dá o sentido dessa nova vida. A vida da comunidade terá como missão a reconciliação pessoal com Deus e entre si. Reconciliação não é uma atitude individual, mas a restauração de todos em Cristo. 
Doador dos sete dons 
Rezamos na oração da coleta a frase: “Realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho”. Pentecostes é um modo permanente da vida dos discípulos. Toma a imagem da diversidade dos dons. Esses dons não existem em função individual, mas para o bem de todos. A atividade dos ministérios e dos dons, mas o Espírito é um só. O que cada um possui é para o bem comum. A manifestação que o Espírito dá a cada um para o bem comum (1Cor 12,11), Todos formamos um só corpo unido a Cristo para o bem de todos. As diversidades das nações no primeiro encontro significam que o Dom da Redenção é para todos os povos. O evangelho pode ser lido e entendido em todas as línguas. Todas as línguas podem ser veículo da evangelização. Não podemos parar, pois o Espírito é como vento, vencendo todos os obstáculos. 
Leituras: Atos 2,1-11;Salmo 103; 
1Coríntios 12,3b-7.1213; 
João, 20, 19-23 
Ficha nº 1864 - Homilia de Pentecostes (09.06.19) 
1.Sua missão, na Trindade, nos alerta que vivemos os tempos da missão do Espírito. 
2.É Ele mesmo que Se comunica com os discípulos e lhes dá o sentido dessa nova vida. 
3.Todos formamos um só corpo, unido a Cristo para o bem de todos. 
Voo sereno
Há um uso espiritual que pode ser rico na ordem da graça, mas que perde a unidade da vida espiritual; É Jesus aos pedaços. Tudo, por causa de uma espiritualidade individualmente exacerbada. Certamente há muita riqueza de devoção e piedade. Mas devoção e piedade podem ser eivadas de uma satisfação espiritual sem compromisso com a verdade do Evangelho. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4,12). É a ela que devemos prestar contas. O Espírito, na linguagem bíblica, é como fogo, como a água para que tenham vida os que se põe a seguir a Cristo. Depois da Ascensão de Jesus ao Céu, estamos nos tempos do Espírito Santo. Sua importância para a vivência do Evangelho, que é vivo e ativo. O Espírito trás aos fiéis, continuamente, a água viva, o fogo em seu calor e movimento. Ele vivifica a sua Igreja.

sábado, 25 de maio de 2019

nº 1860 - Homilia do 6º Domingo da Páscoa (26.05.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Guardar a Palavra” 
Frágil, mas forte na fé! 
A liturgia do tempo pascal nos estimula viver o Mistério de Cristo, isto é, levar a Palavra a se encarnar no dia a dia. É ser uma resposta ao diálogo da Encarnação à resposta total do Filho em sua morte. Em sua Encarnação busca sempre fazer a vontade do Pai através do amor. Jesus, antes de anunciar o Reino, faz a vontade do Pai dando a vida para que todos tenham a vida plena (Jo 10,10). Jesus, em sua decisão, se alegra porque os seus discípulos frágeis e humildes se abrem tanto à palavra e, como no amor que gera em nós. É a questão fundamental que dirige sua vida. Assim somos chamados a viver como Ele viveu. Amar é guardar a Palavra. Ao pequeno grupo, mas aberto, Ele garante sua verdade. Viver a Palavra é ter a vida, pois assim aconteceu com Ele. “Se alguém me ama, guardará minha Palavra. E meu Pai o amará e, nós viremos a Ele e Nele faremos morada” (Jo 14-23). Essa presença do amor não reduz sua intensidade por causa da fraqueza de seus discípulos, pois Jesus dá a certeza da presença do Espírito Santo que abre os ouvidos e os corações para que recebam o dom do Pai. O Espírito que o Pai enviará, ensinará tudo e recordará tudo o que tenho dito (Id 25). Que garantias humanas os discípulos apresentam para a continuação da missão de Jesus? O Espírito manterá viva a memória de Jesus e seus ensinamentos. Disse também: “Deixo-vos a paz a minha vos dou; mas não a dou como o mundo” (Jo 14,23-29). Os discípulos vivem no mesmo caminho. 
Espírito constrói a Igreja 
Após a subida ao Céu, em sua Ascensão, encerrando seu tempo e missão, podemos nos perguntar: E agora? Com a maravilhosa Ascensão de Cristo, iniciamos o mundo novo querido por Deus. É agora que Jesus nos dá o Espírito da Verdade. Pode-se pensar que esse mistério foi como que fechar sua ação no mundo. Entramos no tempo do Espírito que tem a força do Pai e do Filho para dar a seus fiéis os preciosos tesouros da intimidade Divina. A trilha para encontrar o Pai e o Filho serão suas palavras e sua vida. João ensina que Ele ensinará toda a verdade e recordará tudo o que Filho ensinou (Jo 4,26-27). Depois da realização a vontade salvadora de Deus em Jesus, a vontade proclamada, é agora vivida por todos os fiéis. É difícil superar o tempo que nos separa e perceber a realidade.
Que as nações vos glorifiquem 
A Ressurreição de Jesus fecha o tempo da morte e abre a cidade de nosso Deus. João, em sua reflexão sobre a grandiosidade de nosso futuro desvenda a grandiosidade da futura Jerusalém. É a morada celeste. Cidade sem templo, pois seu templo é o Senhor. A luz é o Cordeiro. O que é mostrado radiante. Somos luz que reflete a luz do Cordeiro. Por isso, uma etapa da catequese aos adultos a serem batizados, chama de iluminação. Nós estamos envolvidos nesse mistério quando estamos com os apóstolos que são os alicerces dessa cidade. Esta cidade já se delineia agora, no hoje de Deus. A leitura do Apocalipse provoca incompreensões por sua linguagem como somente humana. o É Espírito que fala. Leituras: Atos 15,1-2,22-29;Salmo 66; Apocalipse 21,10-14.22-23;João 14,23-29 
Ficha nº 1860 - Homilia do 6º Domingo da Páscoa (26.05.19) 
1. O Espírito ensina a comunidade recordando o ensinamento e mantendo-o vivo. 
2. Entramos no tempo do Espírito que dá a seus fiéis os preciosos tesouros. 
3. Nós, em Cristo, somos luz com Ele. 
Chave do tesouro. 
Faz parte do ser humano a busca de um tesouro escondido que vai transformar a vida. Esta busca se faz com mapas, com aventureiros e perigos. No final das contas, nada foi encontrado. A descrição é magnífica, que mesmo sendo sonho, continuamos felizes. O sonho de todo homem e mulher é viver toda a felicidade do mundo. É a busca do tesouro, como diz Jesus disse: “Onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração” (Mt 6,21). Voltados ao tema, numa referência a nós, hoje, podemos compreender que esta busca do tesouro em vida comunidade tem a chave do amor no pensamento, no coração e nas atitudes. O amor é um trator que abre caminho para que realizamos a felicidade.

domingo, 19 de maio de 2019

nº 1858 - Homilia do 5º Domingo da Páscoa (19.05.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista
“Novo céu e nova terra” 
Construindo a Vida Nova 
Jesus Ressuscitado continua sendo o Mestre. Para tanto esteve com os discípulos cinquenta dias. Mais que um tempo de convivência que a marcação de calendário. Os apóstolos afirmam com vigor a razão de sua fé que é o Cristo vivo, presente e doador do Espírito. As narrativas dos Atos de Apóstolos continuam dando como fizeram para comunicarem a certeza da Ressurreição. Esse tempo foi o tempo favorável para Jesus dar aos discípulos os ensinamentos para continuarem sua missão. Nas leituras acolhem o ensinamento sobre a comunidade que vai levar adiante a salvação. Têm a certeza de contar não em uma história ou contos de fadas, mas a presença de um Vivo. Nele encontramos a riqueza do mandamento do amor. Esse amor foi a razão da Morte e da garantia da Ressurreição.. Sabemos que as necessidades eram muito grandes. Em seu dom Jesus nos adquiriu com sua morte e com seu amor ao Pai que gera o Amor. Por isso as narrativas, mais que um amor afetivo, são vividas num só gesto de acolher uma comunicação, corresponder e fazer comunidade. O amor doado por Jesus transforma-se em ações de misericordioso. 
Morada de Deus 
O Apocalipse é a leitura do livro da Vida. Nele o discípulo encontra seu Messias glorioso e vencedor, da morte e aberto ao conhecimento das promessas. Pelo Apocalipse aprendemos a ler os sinais dos tempos de Deus a nosso respeito. Abre também ao conhecimento do Reino de Deus que atua no mundo. As bestas são os males que nos perseguem. Seremos vencedores na medida de nossa participação no ministério de suas dores e fortaleza. Na Ceia Pascal, lemos no Evangelho de João, que Jesus lavou os pés dos discípulos. Nesse gesto simbolizou a autoridade no Reino. Tudo o que o Pai deu a seu Filho, o Filho no-lo deu como participação. Os cinquenta dias depois traduzem isso para nós. Cada fiel forma com o Mestre um modo de participação. Paulo e Barnabé fazem longas distâncias para evangelizar. Os discípulos, na fraternidade, estabelecem sua vida na de vida de Jesus. É o caminho para todos. Afirma: “Eu vos dou um novo mandamento: ‘Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei, também deveis amar uns aos outros”’ (Jo 13,31-35). Temos aqui a chave do Reino de Deus. 
A cruz e o amor 
Nesse contexto de fim de Tempo Pascal, a liturgia não só apresenta narrativas dos fatos maravilhosos e fortes de nossa redenção, mas também como viver o mistério em nossa vida. Jesus nos dá a chave. Faço o que vi meu Pai fazer. E Jesus convida a carregar a cruz como Ele levou. Como Jesus, somos formados a beber o vinho de Cristo, que significa a refeição dos marcados pela fé no Batismo. Jesus não deixou nada escrito. As comunidades demoraram muito a se formarem. Aqui se encontra a chave de estourar os abismos do mal: o amor e a cruz. O amor que é a vida da comunidade e pela comunidade:“Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,33-35). A festa da Páscoa é comunhão, acolhimento e vida doada. Quanto mais construído com amor na comunidade, cresce em nosso meio a Jerusalém do alto. O texto chama à atenção para a preciosidade da cidade celeste. Mas ela ainda está a caminho 
Leituras: Atos14,21b-27; Salmo 144; Apocalipse 21,1-5ª; João 13,31-33º.34-35 
Ficha nº 1860 - Homilia do 5º Domingo da Páscoa (19.05.19) 
1-Vida, a Morte e a Ressurreição não são teorias, mas amor. 
2-Jesus afirmou que sigam através do amor de comunhão. 
3-Quanto mais construído com amor na comunidade mais cresce em nosso meio a Jerusalém do alto.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

nº 1856 - Homilia do 4º Domingo Comum (12.05.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Pastor e Guia” 
Conduzi às alegrias celestes 
A figura do pastor é frequente nas Sagradas Escrituras para nos revelar uma das mais caras no caminho espiritual. O Pai é lembrado tantas vezes com o título e função de pastor. Quando Jesus diz “Eu sou o bom pastor”, está Se identificando com o Pai e indicando nosso relacionamento com Ele. Jesus ressuscitado é o Pastor que conduz o povo. Como Bom Pastor veio conduzir suas ovelhas em seu caminho. É um intercâmbio natural: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz e Eu as conheço e elas me seguem. Dou-lhes a Vida Eterna e elas jamais se perderão. O Pai e Eu somos um” (Jo 10,27-28); Seu relacionamento com o Pai é a escola para nós. É necessário fundamentar nossa fé nessa unidade de vida do Pai e do Filho no Espírito. Esse amor da Trindade sempre nos coloca em relacionamento de conhecimento: “Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, Sua bondade permanece para sempre (Sl 99). Ser ovelha que segue o Bom Pastor abre-nos à reflexão sobre o conhecimento mútuo. Trata-se de um conhecimento que supera a linha do saber. É um conhecimento na linha do amor que existe entre o Pai e o Filho. Esse conhecimento que supera a inteligência e abre ao encontro com o Pastor. É um conhecimento que entra no existir e vivência cotidiana da vida das pessoas. Esse conhecimento não é um misticismo, mas se realiza e interfere na vida da comunidade. É uma comunidade que escuta. As ovelhas seguem aonde Ele vai, pois ouvem sua voz. Ao mútuo conhecimento geram o amor. 
Alcançar a fortaleza do Pastor 
Os apóstolos causavam grande admiração. Paulo e Barnabé, com sua presença evangelizadora provocam alegrias aos pagãos e ciúmes entre os judeus. A pregação do Evangelho é motivo de serem apedrejados. Os judeus instigaram mulheres piedosas e ricas, assim como homens influentes provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé. É notório que pessoas de posse, usem a Igreja. Acham bela a doutrina, mas não admitem que ela penetre a vida. Temos nas comunidades as donas e donos da Igreja. Com isso criam obstáculo. Querem ser donos de Deus para que estejam a seu favor. Paulo declara que irá aos pagãos porque os judeus que tinham direito à Palavra recusaram. Deus continua chamando as ovelhas com sua voz. Esse chamado pode nos levar à perseguição. O que move à pregação é a fidelidade ao dom que receberam. Paulo confessa a verdade de sua força apostólica: “Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra” (At 13,47). Sempre fiel a Deus, anunciando Jesus como Salvador 
Apesar da fraqueza 
Os apóstolos Paulo e Barnabé sofreram a perseguição por causa do Evangelho. É o lado humano de nossa união como Cristo. Podemos conferir na história da fé cristã que veremos que os tempos de perseguição surgem quando se é fiel ao Evangelho. Contudo não podemos olhar só as perseguições, mas também as vitórias que a fé nos traz. Depois de muito sofrimento por serem cristãos, a fé se firmou e nasceu uma Igreja vigorosa. É o que o livro do Apocalipse anota quando vê a multidão dos redimidos: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14b). Quem seguir Jesus com entrega total de vida participa da multidão que está diante do trono. A grande chamada que a Igreja faz é pelo entusiasmo de anunciar. Conhece os sofrimentos, mas sabe que depois da Cruz veio a Ressurreição. A celebração da Igreja é o momento de tomar vigor e força de evangelização. 
Leituras: Atos 13,14.3-52; Salmo 99;Apocalipse 7,9.14b-17;João 10,27-30. 
Ficha nº 1856 - Homilia do 4º Domingo Comum (12.05.19) 
1. Esse amor da Trindade sempre nos coloca em relacionamento de conhecimento. 
2.O que move à pregação é a fidelidade ao dom que recebêramos. 
3.Os apóstolos sofreram a perseguição por causa do Evangelho. É o lado humano de nossa união como Cristo. 
Fazendo o Céu com os dedos. 
Temos maravilhas idéias que queremos serem realidade. Não deixa de ser, pois o Reino de Deus está nas pequenas coisas feitas no amor. O termo bom pastor enche o coração de quem busca Deus. Volta-se em vida a algo muito bom. A verdes pastagens me conduz. O sonho de um lugar florido, de belas paisagens pode nos encantar. Esse é um paraíso distante. Os sonhos são realidades em nosso coração. Sonhamos, como tendo como criando um mundo novo dentro de nós. Assim Jesus diz de seus seguidores que, com poucas palavras, mas muitos gestos criam o Céu que esperamos. E podemos conversar com Ele.

sábado, 4 de maio de 2019

nº 1854 - Homilia do 3º Domingo da Páscoa (05.05.19)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“É o Senhor” 
As redes não se rompiam 
Jesus ressuscitado manifestou-se a seus discípulos em sua ressurreição. Para fazer entender a Ressurreição os evangelistas mostram com clareza que é o mesmo, a tal ponto de comer com eles e estar com eles à beira do lago quando fazem a pesca milagrosa. Esse milagre retrata os resultados da missão. Seguindo a palavra de Jesus pegam muito peixe e as redes não se rompiam. Eram 153 peixes. Por que 153? S. Jerônimo diz que era o numero dos peixes conhecidos. Outro autor diz que era o número de povos conhecidos então. João diz que é o Senhor que nos dissera de lançar a rede à direita do barco. O homem que está na praia e indica o lugar do cardume é o Cristo Ressuscitado. Reconhecem Nele o Ressuscitado que está junto do trono do Pai. João, dizendo que o homem que os mandara jogar a rede do lado direito é o Senhor. Eles têm confiança de que tudo que fizerem. Não o fazem sem Ele. Diz: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Ao chegarem à praia veem que Jesus já tinha preparado pão e peixe no fogo. O Ressuscitado é o Pão da Vida, assado no fogo do Espírito. Assim alimentados podem anunciar. A pregação dos discípulos não será uma oferta vazia. Ela tem vigor pois só é feita pelo pão que se oferece e pelo fogo do Espírito. Sua força supera a fragilidade humana, mas é consistente quando parte de Jesus. Ele está em pé na praia, como está junto do Pai. Cada Eucaristia é o ministério Pascal na vida de todo cristão. Por ela revivemos e anunciamos. 
O Cordeiro imolado 
No Apocalipse, São João nos descreve a beleza da celebração celeste. É o louvor eterno. No centro está o Cordeiro que mostra as feridas que sofreu em sua morte (Apocalipse). Universo integra o majestoso coro dos viventes. O louvor é dirigido ao Pai através do Cordeiro que foi sacrificado e agora glorificado: Só Ele é digno de abrir o desígnio de Deus. Todas as criaturas as do Céu e da terra, inclusive os materiais, que participam dessa adoração. Vemos no momento como é mal compreendido o culto a partir das Escrituras. O Universo participa desse Culto eterno, inclusive os seres inanimados. Todos cantam o hino de louvor entoado pelo próprio Cordeiro que traz em si os sinais da Paixão. Só Ele é digno de receber e de prestar o culto. O Cristo ressuscitado ensina que a celebração de nossa Eucaristia não é obra de um indivíduo. É todo o Universo criado. Ensina aqui a dimensão cultual de todos. Em resposta, temos o dom de participar nessa única celebração que une em si o louvor de todos. Vivemos tempos ruins na celebração. Participado da celebração não estamos vivendo o culto que o eleito faz ao Pai em Cristo, participando de suas alegrias e tristezas. Celebração em Cristo se torna memória e estímulo ao anúncio do que vimos e ouvimos. 
Obedecer a Deus 
Os apóstolos foram presos e proibidos de pregar. Temos agora a cena dos apóstolos que pregavam no templo. O Sumo Sacerdote diz: “Já os tínhamos proibido de ensinar em nome de Jesus” (Jo 21,28). Mas não desistiam e anunciavam a Ressurreição através da Palavra e dos milagres. Os chefes espirituais do povo quiseram impor silêncio sobre eles. Chegamos a um ponto bonito do anúncio da fé: O sentimento de terem Alguém que os sustenta. O diálogo de Jesus com Pedro nos dá a conhecer que o amor é a fonte de seu ministério apostólico. Mesmo se formos fracos não perdemos o amor de Jesus. E Pedro dá a magnífica resposta: “Senhor, tu sabes tudo, sabes também que eu te amo” (Jo 21,17). 
Leituras Atos 5,27b-32.40b-1;Salmo 29;Apocalipse 5,11-14;João 21,1-19 
Ficha nº 1854 - Homilia do 3º Domingo da Páscoa (05.05.19) 
1. O Ressuscitado é o Pão da Vida, assado no fogo do Espírito. 
2. O culto resume em si todos os anseios humanos. 
3. O diálogo de Jesus com Pedro nos dá a conhecer a fonte de seu ministério apostólico.
Olha o peixe!!!
A palavra peixe! Acho que o peixe deveria ser muito usado na comunidade dos discípulos. Olhando bem, não se busca o peixe que se come, mas que podemos usar as letras da palavra (em grego - Ichtys) Cada letra é a inicial de uma palavra de nossa profissão de fé em Jesus Cristo, de Deus Filho, salvador. Peixe pode-se vender na rua, na banca etc... Mas fé é preciso também a voz. Haja peito. O peixe serve de ornamento de tantos modos na Igreja. Se crermos, poderemos cair no mar do mundo e recolher peixe de tantos tipos. Para o vendedor é importante chamar e saber vender seu peixe. Na Igreja, nós nos apoiamos em tantas coisas que não vêm de Jesus Cristo.