quinta-feira, 14 de abril de 2022

Artigo Nº 63 - QUINTA-FEIRA SANTA

Pe Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista. 
“Isso é o meu corpo que é dado por vós” 
Iniciamos com esta celebração da “Ceia do Senhor”, o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, centro do ano litúrgico. Nele Cristo realizou a obra da redenção humana e a perfeita glorificação de Deus. Este Tríduo começa com a celebração da Quinta Feira Santa que lembra a Instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e o mandamento novo do amor. As leituras proclamam a Páscoa histórica do povo hebreu que é ao mesmo tempo profética. Proclama também a Páscoa celebrada e realizada em e por Jesus e a Páscoa celebrada pela Igreja na missa, Eucaristia que fazemos em sua memória, como Êle mandou. O sangue do cordeiro passado nas portas salvou os primogênitos da morte e abriu caminho de libertação da escravidão. Paulo narra o que recebera já por tradição da comunidade. Da páscoa hebraica Jesus fizera um memorial de sua Páscoa de Cruz e Ressurreição. A comunidade compreendeu a mudança de sentido e de conteúdo. Agora quem salva e abre caminho de libertação é Jesus que com seu sangue é o novo cordeiro libertador. Jesus no evangelho dá o sentido de sua Eucaristia e da Páscoa que fará em si mesmo: ao celebrar a ceia lava os pés dos apóstolos. E diz que devem fazer o mesmo. O que Cristo faz em sua morte é um serviço de amor à humanidade. Quando dá o pão e diz isto é meu corpo, dá o vinho e diz isto é meu sangue, diz também fazei em memória de mim. Com estas palavras e exemplo dá o conteúdo de sua Páscoa: um serviço de amor para a redenção de todos. Ele quer que sua memória permaneça ligada ao seu gesto de entrega total ao Pai pela humanidade que pecara. Não é somente uma redenção de pecado e basta, mas um redenção que transforma tudo em amor de serviço humilde aos irmãos. Eucaristia é Páscoa. Páscoa cristã é presença do amor de Jesus que redime e dá vida. Quinta feira Santa, dia da instituição da Eucaristia. Nós celebramos missa todos os dias. Por que não transformamos nosso mundo, se Jesus com uma única eucaristia realizada em seu corpo trouxe a vida ao mundo? Porque ali havia a entrega total do amor. O mandamento do amor é o fundamento da Eucaristia e do sacerdócio. Jesus parte o pão e reparte. No momento em que no mundo houver a partilha do pão para o corpo, aí poderemos celebrar bem a Eucaristia. Se na Eucaristia aprendemos de fato a repartir o pão, o mundo será salvo. Cristo é também presença que permanece: Cada sacrário que tem a presença real de Jesus seja a fonte de nosso amor e nossa dedicação ao amor dos irmãos na adoração ao Amor que sempre nos ama. Agradeço a Deus ser sacerdote e por ter podido amar tanta gente neste meu ministério. Peço que, para viver a Eucaristia, nos esforcemos muito a fim de que todos sejamos fraternos e nos ajudemos a repartir a vida para que o mundo tenha vida. Cada gesto de amor constrói a Páscoa que dura para sempre.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Nº 177 artigo - “Mistério Pascal de Cristo”

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
Viver o Mistério Pascal de Cristo!!! 
Que é isso? Já há tanta coisa a se fazer na Semana Santa! Tantas cerimônias, procissões, vias-sacras, reuniões e vigílias, sem falar das penitências. O que mais precisamos fazer? Simplesmente usar todos estes meios para viver o Mistério Pascal de Cristo. É uma linguagem antiga que volta a orientar a vida do povo de Deus. Não dizemos mais assistir a Semana Santa, mas participar do Mistério Pascal de Cristo. Agora o povo de Deus vive a mesma fé em outra linguagem. Agora compreende que sua vida está unida à vida de Cristo que nos une à sua vida O que é viver o Mistério Pascal de Cristo? Jesus, ao partir para o Pai, deixou-nos o Evangelho para ser sua vida em nossa vida. A Igreja, lentamente organizou a vida da comunidade. Quando falamos de Evangelho lembramo-nos também dos ensinamentos dos apóstolos que não foram escritos. É a tradição. Nela, com a leitura do Evangelho, a Igreja foi organizando a celebração da vida de Cristo em nossa vida. É liturgia. Como fazemos a celebração da vida de Cristo? A comunidade se reunia para partir o pão, isto é, celebrar a Eucaristia onde estava presente a morte e ressurreição do Senhor. Surge assim a celebração dominical. Depois surge a celebração da festa da Páscoa como a celebração mais importante do ano. Da celebração da Páscoa nasce a celebração do jejum da Sexta-feira e do sábado. Esta celebração estava direcionada ao Batismo. A comunidade fazia a preparação para os batismos, jejuando e celebrando. As celebrações se organizaram até chegar onde estamos. Assim nasceu a celebração do Mistério Pascal de Cristo. A partir século IV, celebrações da liturgia em Jerusalém têm uma característica importante: eram feitas nos lugares onde aconteceram os fatos da vida de Jesus. Lendo a Palavra de Deus, refaziam de certo modo os passos de Jesus. Assim participavam daquilo que fora a vida Jesus. O ritos exteriores como que refazendo os fatos, explicam a ação de Deus no interior de cada um. Podemos até dizer que o que realizamos em símbolos externos, Deus realiza em graça divina em nós, reproduzindo em nós a imagem e a vida de seu Filho. Pedro diz: “O batismo não consiste na remoção da imundície do corpo, mas em um compromisso solene de uma boa consciência para com deu pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pd 3,21). É um conhecimento exterior que modela nosso interior. Praticamente funciona assim: a comunidade reunida tem a presença do Espírito Santo que garante a eficácia do sacramento celebrado. A Palavra de Deus proclama a presença da salvação que Cristo nos traz. Os gestos, ritos e símbolos da comunidade expressam exteriormente o que Deus realiza interiormente em cada um. A boa disposição pessoal é a condição para que a graça possa atuar. A abundante generosidade de Deus confere a cada um a participação da vida de Cristo que é viver o Mistério Pascal. O que se vive na Quaresma torna-se uma bela maneira de aprofundar-se na vida de Cristo.

nº 281 Artigo - “Vivendo a Paixão de Cristo”.

Pe.Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
Segredo de um caminho. 
Jesus, quando ensinava seus discípulos, dizia: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mt 16,24). “Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo” (Jo 12,26). Há um caminho, um trilho no seguimento de Jesus. Todos nós queremos, mas nem sempre sabemos como fazer e nem se estamos fazendo. Pensamos que estamos fora da estrada. Mas Jesus tem um trilho secreto: “porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram” (Mt 7.14). Basta saber se o caminho está meio apertado para ter certeza que é a estrada justa. Não que Jesus queira nos criar dificuldades e dar uma salvação impossível. Mas se o caminho oposto é largo é porque nos facilita excessivamente fazendo somente nossos gostos. O aperto do caminho é porque se baseia na vontade do Pai. Esta Ele quis fazer. O aperto está no fato de que é único. Mas se estamos nele, estamos seguros e tranquilos. Desprezou o que o mundo poderia oferecer fora da vontade do Pai, decididamente foi para Jerusalém, como relata Lucas: “Jesus caminhava à frente, subindo para Jerusalém” (Lc 19,28). 
O caminho da Paixão de Jesus. 
Participar da Paixão de Cristo é fazer seu caminho. Participar significar unir-se a Cristo que se oferece ao Pai pelo mundo. A capacidade de doação de Cristo é o conteúdo de seu sacrifício doloroso que o acompanha desde sua encarnação. Esta doação de serviço, Jesus a manifesta claramente nos dias de sua dolorosa Paixão: na Quinta-Feira Santa concretiza sua doação quando lava os pés dos discípulos. E a entrega ao serviço do próximo como realização da vontade do Pai. Este gesto se transforma na extremada entrega que faz de si mesmo, dando-se como alimento. Ele reparte e partilha o pão que é seu corpo e o vinho que é seu sangue. Este gesto é a explicação de sua entrega total na cruz. Jesus realiza em símbolos na Ceia, o que vai realizar na realidade na cruz. Quando manda fazer em sua memória, não é só repetir o gesto, mas repetir, sobretudo a entrega. Nossas missas não rendem mais para nós, porque não possuem nossa entrega com Cristo. Não fazemos memória de seu gesto redentor. O caminho da Paixão de Cristo é sua entrega como serviço humilde para garantir ao mundo o amor do Pai. Ligamos sempre a Paixão à dor, mas ela deve estar unida primeiro ao amor, pois é uma paixão de Jesus por se entregar por amor ao Pai. 
Amor é nas águas. 
Quando Jesus morre, o soldado enfiou-lhe a lança e saiu sangue e água. Estas águas se transformaram em um rio caudaloso. Ezequiel (47,1ss) explica-nos que a água brotava do limiar do templo em uma pequena fonte e depois se transformava num rio, assim também a água do lado de Cristo, novo templo, mesmo sendo pouca, transforma-se num rio onde podemos nos lavar no batismo e fecundar em nós a vida nova que vem de sua entrega ao Pai. Estas águas nascem de seu coração como uma fonte de amor, ungidas pelo seu sangue redentor. Na Noite da Páscoa, faça a renovação das promessas do Batismo e afunde-se no rio de amor que sai do lado de Cristo e se represa na sua Páscoa, fazendo um lago onde, mergulhados, deixamos nossas fraquezas e levantamos repletos da graça que dá a vida.

nº 179 Artigo - “Dias da Semana Santa”.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
Três dias de tensão. 
Hoje vamos dar uma visão de conjunto dos dias da Semana Santa, quando celebramos o Mistério Pascal de Cristo. Passado o Domingo de Ramos vivemos um clima de caminho com Cristo. Acompanhamos sua tensão interior e choques com os chefes do povo e da religião. Na 2ª,3ª e 4ª feiras, lemos textos do profeta Isaias que falam do servo sofredor. Jesus é este servidor de Deus que se entrega por nós. Nos evangelhos acompanhamos o esboçar-se da traição de Judas e a decisão dos “homens” de matar Jesus. Na quinta-feira de manhã temos a missa da bênção dos Santos Óleos (catecúmenos, crisma e enfermos) que entram na confecção dos sacramentos. Os sacramentos nascem do Mistério da morte e ressurreição de Jesus, e são eles a nos dar os frutos da redenção conquistada por Jesus. 
Uma bacia e uma toalha. 
Ao cair da tarde de 5ª feira iniciam-se as grandes celebrações. A missa da Ceia do Senhor, relembra 4 pontos fundamentais: a Eucaristia, pão e vinho que tornam presente o sacrifício redentor de Cristo; a instituição do sacerdócio quando Jesus diz: fazei isso em memória de mim; o mandamento do amor que é o caminho da vida e salvação, síntese de tudo o que Jesus foi e ensinou; a humildade, maior virtude, para viver como Jesus viveu. Mais bonito ainda é ver Jesus sintetizar tudo isso na cerimônia do Lava-pés. Ali está o sacerdócio como serviço, a maneira de amar com humildade e a explicação da Eucaristia e da morte-ressurreição de Jesus, modo de Deus amar e servir o mundo, vivido e ensinado pelos cristãos: partir e repartir. Após a missa temos a adoração silenciosa junto à agonia de Jesus no Horto das Oliveiras. Simples: ma bacia e uma toalha, resume muito.
Uma cruz e uma lágrima. 
Não temos missa na Sexta-Feira Santa, pois o sacrifício celebrado na missa se realiza em Jesus Crucificado. Ali, o Deus-Homem chega ao absurdo do amor: entregar-se pelos que ama. “Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos”. Ele era nosso amigo quando não éramos ainda seus amigos. Última gota de sangue, última prova de amor. Na liturgia das 15 horas celebramos a morte de Jesus. Ela se torna presente. Ouvimos a Palavra de Deus que proclama a presença desta morte, rezamos por todas as necessidades do mundo e adoramos Jesus morto sobre o madeiro. Quanta dor e sofrimento no Filho, na Mãe e nos amigos! “Uma espada traspassará tua alma”. Mãe das Dores, rogai por nós. Ao final temos a Comunhão. Celebramos Cristo morto, mas Ele está vivo. Por isso podemos participar totalmente de seu mistério pela comunhão de seu Corpo e Sangue redentores. 
Um túmulo vazio. 
Passamos o Sábado no silêncio ao lado do túmulo silencioso. Não há celebração, há somente a dor silenciosa pela morte de um Deus. Nosso Deus não mata, morre por nós. À hora noturna iniciamos a celebração da Vigília Pascal. É o dia que escolhi para ir para o Céu. Lindíssimo. Celebro este mistério com uma alegria incalculável. É o fogo novo, a proclamação da Páscoa, as leituras, a renovação das promessas do batismo, a celebração Eucarística. Ressuscitamos com Ele. Passemos estes dias ouvindo a Palavra e abrindo o coração.

nº 2164 - Homilia do Domingo de Ramos (10.04.210)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Domingo de Ramos” 
Bendito o que vem 
Quando lemos os textos da Palavra de Deus desse tempo da Paixão e Páscoa, ficamos atordoados de tanta riqueza da Palavra para descrever a obra do Amor de Deus pela nossa salvação. É de perguntar se estamos interessados em nossa salvação. Certo que sim. Mas como se manifesta? Começamos o caminho da Paixão e Glória. Tudo feito por Deus na linguagem humana. Todos queriam um Messias. Jesus queria que o caminho do Pai fosse realizado e todos pudessem fazê-lo para ir ao seu encontro. Vemos toda a trajetória da encarnação que culmina com a glorificação. O momento da entrada de Jesus em Jerusalém é o prenúncio de sua glória. O profeta Ageu, diante da inferioridade do novo templo, conforta o povo dizendo que a glória do novo templo será maior que a passada: “Nesse lugar Eu darei a paz” (Ag 2,9). Quando Jesus chora sobre Jerusalém, mostra sua decepção da recusa e se declara como realizador da profecia: “Ah se nesse dia, também tu conhecesses a mensagem da paz” (Lc 19,42). Ele é a Paz. Acentua-se assim a recusa. A entrada de Jesus em Jerusalém é um marco na missão de Jesus. Ele não se perde pela recusa dos chefes povo. Mas quem O recebe é o povo; é aclamado pelos pequeninos. O Reino dos Céus é dos pequeninos. Os mestres da lei querem abafar a voz dos inocentes que Nele creem. Nada abafa. Jesus responde: “Se as crianças se calarem as pedras gritarão” (Lc 19,40). Nada impede a entrada do Reino de Deus. Hoje acolhemos com o coração aberto. 
Ele se esvaziou 
Esse glorioso Messias é o “Servo Sofredor”. A liturgia de Ramos tem a gloriosa entrada do real Messias em sua cidade. Depois, em clima de dor, encontramos a misteriosa figura do “servo sofredor”. Não se tem esclarecimento de quem seja. Por isso ficou fácil ligá-la a Cristo sofredor que suporta os sofrimentos: “Ofereci as costas para me baterem, e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado” (Is 50,6-7). São quatro cânticos maravilhosos. Esse servo sofredor põe sua vida como resgate. E não será vencido. Sabe em quem põe sua confiança. O salmo 21 relata o sofrimento e o desamparo que sofre Jesus em sua Paixão. Ele assumiu nossas dores e carregou nossos sofrimentos. O castigo que caberia a nós recaiu sobre Ele. Por suas chagas fomos curados (Is 53,5). Certamente que não podemos ver a Paixão como dor, mas um amor que sofre pelo amado, silenciosamente. No auge da dor, sempre surge a glória. Rezamos: “Para dar um exemplo de humildade, Deus quis que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz”. Essa é a lição da Paixão. 
Esse homem era justo 
A carta aos Filipenses analisa a condição de humilhação do Filho para demonstrar o o sentido de sua entrega: “Esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com o aspecto humano, humilhou-se a si mesmo fazendo-se obediente até a morte...Por isso Deus o exaltou...assim todo joelho se dobre e toda língua proclame: Jesus é o Senhor para a glória de Deus Pai” (Fl 2,6-11). A liturgia de Ramos nos leva a compreender a passagem da glória à dor e da dor à glória. É o caminho do fiel. Sem isso, não podemos compreender, nem percorrer o caminho de Jesus. A Semana Santa percorre todos os aspectos da vida cristã e pelo sacramento a realiza.
Leituras:Lucas 1928-40; Isaias 50,5-7; 
Salmo 21; 
Filipenses 2,6-11; Lucas 23,1-49; 
Ficha nº 2164
Homilia do Domingo de Ramos(10.04.210) 
1. Jesus queria que o caminho do Pai fosse realizado e todos pudessem fazê-lo para ir ao seu encontro. 
2. Não podemos ver a Paixão como dor, mas um amor que sofre pelo amado. 
3. A carta aos Filipenses analisa a condição de humilhação do Filho para demonstrar o sentido de sua entrega. 
Não deixa de ser jumento. 
Há muitas historietas sobre o jumento que levou Jesus. Bobagens. Mas ele levou Jesus e foi escolhido. Não deixou de ser jumento. Jesus terá montado outros jumentos. Não deixam de ser jumentos. Nós levamos Jesus em nós. E nem sempre sabemos ser jumentos...fazer nossa parte.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

nº 2162 - Homilia do 5º Domingo Comum (03.04.22)

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
“Eu não te condeno” 
Quem não tiver pecado 
O acusador, além das pedras, tem todas as armas contra o pecador, no caso da mulher colhida em adultério. Já andavam de olho nela. Queriam condenar, não a mulher, mas a misericórdia de Jesus. Essa os incomodava muito mais que os erros da mulher. Jesus estava ensinando agora dá uma aula prática sobre sua doutrina da misericórdia. Queriam ver o que dizia sobre o que a lei ensinava: “Moisés na lei mandou apedrejar tais mulheres... Que dizes tu? Diziam isso para experimentar Jesus e terem motivo de acusá-Lo” (Jo 8,1,ss). Era a lei. Jesus começou a escrever no chão. O que escrevia? Podemos nos pensar acusadores dos acusadores dizendo que Jesus escrevia os pecados deles. Mas penso que Jesus rabiscasse como a dizer: esse assunto não se me refere. Quando se diz que as coisas boas se escrevem nas pedras para a memória. As coisas más, se escrevem na areia porque não precisam ser lembradas. “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra. Jesus se sente frágil e também assume a condição da mulher, pecadora, que precisa de vida e não de condenação. “Eu vim para que tenham vida” é sua lei. “E foram saindo um a um a começar dos mais velhos” (Jo 8,9). É muito triste o pecado envelhecido. Pior é que ele leva a outros piores. O medo da mulher receber uma condenação do Mestre se transforma em um alívio;(:) “Eu também não te condeno. Podes ir, e de ora em diante não peques mais” (id 11). Voltados para a Páscoa notamos que(,) o perdão que nos é dado pelo Mistério Pascal, é total e maravilhoso. 
Força de Cristo 
No modo de Cristo agir encontra-se um novo modo de força. Quem assume Cristo em sua vida experimenta a força de sua Ressurreição. Paulo coloca o conhecimento de Jesus acima de tudo. É uma batalha contínua. A força da Ressurreição é profetizada pelas grandes maravilhas de Deus por Seu povo no Egito que se tornam pequenas na libertação do povo do exílio: “Eis que faço novas todas as coisas”. Fez uma estrada no mar, agora uma estrada no deserto onde faz correr rios de água no deserto. Mais que tudo isso é a Ressurreição de Jesus. Todas as coisas se tornam perda “diante da vantagem suprema de conhecer Jesus Cristo”. A expressão é magnífica: “Por causa Dele perdi tudo”. Considero tudo como lixo, para ganhar Jesus Cristo e ser encontrado unido a Ele. A história do povo de Deus se resume nos diversos acontecimentos da história de cada um. Uma vez que nos decidimos por Cristo, o que fazemos por Ele, e Ele faz por nós, é sempre um retrato do Êxodo e das profecias. Nós lemos as Escrituras como uma narrativa bonita, e não como um espelho de nossa vida. Como é bom se sentir escolhido no seio de Abraão, ser libertado por Moisés no Egito, consagrado na lei do Sinai e purificado no deserto. 
Maravilhas fez conosco 
Tendo o pé firme na Ressurreição, temos força e coragem de dizer como Paulo: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está à frente”. Rezamos: “Dai-nos, por vossa graça, caminhar com alegria na mesma caridade que levou vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo” (Oração). Esta é a dinâmica do Mistério Pascal de Cristo: O amor é sempre uma entrega pelo mundo. “Não tem maior amor que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15,13). O amor que Paulo manifesta por Cristo é a maior pregação que possa fazer aos seus Filipenses.
Leituras:Isaías 43,16-21; Salmo 125; 
Filipenses3,8-14; Jo 8, 1-11 
Ficha nº 2162
Homilia do 5º Domingo Comum(03.04.22) 
1. O perdão que nos é dado pelo Mistério Pascal, é total e maravilhoso. 
2. Nós lemos as Escrituras como uma narrativa, e não como um espelho de nossa vida. 
3. Esta é a dinâmica do Mistério Pascal de Cristo: O amor é sempre uma entrega pelo mundo. 
Eu tenho pecado 
Esse texto da adúltera bagunça a cabeça da gente. Uma mulher que iria ser apedrejada é levada diante de Jesus. Aqueles que cumpriam a lei e a iriam apedrejar queriam mesmo era pegar Jesus. E usam essa isca da pecadora. O que passou pela cabeça dessa infeliz? Ela não se diz pecadora. Somente diz que não foi condenada. Escapou por um triz. Vamos nos colocar no lugar dela e dizer: Eu tenho pecado. E Jesus nos diz: “Ninguém te condenou?” – “Ninguém, Senhor”. Olha que conversa gostosa! Mas eu tenho pecado e reconheço. Mas ninguém me condenou. É uma escola. Deus não condena ninguém. Chama para ser acolhido. Como continuaria a história dessa mulher: “Vai e não peques mais”. São as muitas chances que Deus nos oferece.

nº 2161 Artigo - Espiritualidade da Quaresma.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira 
Redentorista 
Liturgia é vida 
O Ano Litúrgico tem diversas etapas. Temos o hábito de fechar um tempo e esperar que ele volte no ano que vem. Não é uma atitude correta. Ele é vida. E como vida, permanece. Não é uma organização prática da vida oracional da Igreja. É a vivência da manifestação do Senhor que nos envolve e alimenta espiritualmente e encaminha a prática da vida cristã. Não é um texto a ser lido, mas um mistério a ser acolhido. É participação da Vida de Cristo. Como é Vida acompanha nossa vida. Não são textos lidos, gestos feitos, mas encontros com Ele nas diversas etapas de sua vida, celebrados na comunidade. Esse encontro é vida, educação e celebração. Por ele aprendemos a conhecer a Cristo em seu mistério. Recebemos o modo de viver esse tempo de salvação que nos é concedido. E nos alimentamos da graça redentora. O tempo quaresmal é uma etapa do Ano Litúrgico. Encerra-se um tempo, mas continua presente aquilo que foi vivido. Não repetimos a Quaresma, mas ela faz parte da vida e continua a nos alimentar. É Cristo em eterno mistério de redenção. Normalmente, acabado um tempo litúrgico fecham-se os livros e se guardam os adereços. Vivemos o Mistério Pascal de Cristo que nos é sempre apresentado em todas as suas dimensões. Em determinadas épocas salientamos aspectos que nos enriquecem e promovem aprofundamentos sempre maiores que nos levam a viver melhor para melhor celebrar. 
Uma Quaresma como lição 
Como viver o espírito da Quaresma durante o ano? Ela não é triste pela dor de Cristo, mas concentrada no aspecto de permanente conversão. A conversão indica o caminho de melhor conhecer Cristo e vivê-Lo melhor. Assim a conversão é permanente. Mais convertidos podemos celebrar melhor no próximo ano. É a conversão permanente e a valorização da morte do Senhor. Se contemplarmos o aspecto batismal (que não é bem notado no tempo quaresmal, mas é fundamental), poderemos valorizar nosso batismo que não foi um rito que passou, mas é a porta para todos os outros sacramentos. Valorizamos nosso batismo. Damos valores às penitências e cerimônias, mas é tempo batismal. Ela nos reforça no cotidiano de nossa vida cristã que surge do batismo. As penitências podem ser outras, mas não se deve esquecer que todo tempo é tempo de conversão. Mudam os gestos, mas o coração tem que sempre ser cuidado. A Quaresma nos leva a maior concentração. É uma escola para nossas perdas de tempo, nossos devaneios. Conversão penetra nossa vida. O ano litúrgico continua, mas com outros enriquecimentos. 
Tempo de Deus 
Como um dia difere do outro, assim o tempo de Deus é sempre novo. Sempre nos envolve e atrai. Como tempo de Deus, sempre está a nos trazer a novidade de seu Reino e de sua Pessoa. As muitas manifestações são, para nós, permanente chamado a entrar em união a sua Pessoa. Jesus não é um calendário. Ele é a manifestação de Deus que nos atrai para o convívio amoroso. “Como é bom e agradável nosso Deus! Feliz de quem encontra Nele seu refúgio”. Deus está sempre presente. Essa presença nos atrai e nos convida a levarmos adiante seu caminho de redenção a todos. Os tempos litúrgicos oferecem sempre novos conhecimentos e maneiras novas de encontrá-Lo. Assim podemos crescer Naquele que nos amou primeiro.